Na pele do quarto crescenteSinto falta do teu calor
Sigo à míngua, sou retirante
Nas mil léguas tiranas da madrugada
Procuro teu oásis
Simples senda, pequena tenda
Tesouro do nosso amor beduíno
Que na falta de água
Sorve e dissolve-se
No suor e no sereno
Amor jovial, mas amadurecido
Se criou na polpa dos sentidos
Pelas dunas do caminho
Fez morada em uma praia
Num farol à beira do precipício
No atalho impreciso
Entre o ocaso e o renascer da alvorada
Sinuosa estrada
Picada de espinho
Lança afiada e certeira
Atravessando o coração
Fazendo-nos cair na areia
Saciados pela visão das constelações
Na louca mandala universal...
(Gustavo Adonias)
